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A Associação Novo Encanto de Desenvolvimento Ecológico é uma entidade ambientalista, sem fins lucrativos, fundada em 1990, que atua em âmbito local, nacional e internacional. Tem suas atividades regidas por seu Estatuto e uma Carta de Princípios, que sintetiza a essência da sua linha central de ação e busca trazer uma nova compreensão da Natureza.

Partindo da necessidade de podermos divulgar os trabalhos desenvolvidos pela Novo Encanto na nossa região, que compreende os estados do Ceará, Piauí e o Maranhão, surgiu a idéia de criarmos um blog. O uso dessa ferramenta tem por objetivo de contribuir para o estreitamento da comunicação entre as pessoas acerca das atividades realizadas pelas monitorias. Estamos receptivos ao envio de críticas, observações idéias etc… pelos sócios da entidade. O que for postado será reenviado para a Monitora Regional e o monitor de cada unidade que o sócio for ligado.

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Entrevista com o novo presidente da Novo Encanto

Genis Garcia quer maior integração com a União do Vegetal e foco no Seringal.

Foi eleita no domingo, 22 de março, a nova diretoria da Associação Novo Encanto de Desenvolvimento Ecológico em assembléia ordinária realizada no núcleo São João Batista, em Mairiporã, São Paulo. O novo presidente, Genis Garcia Pereira Junior, disse que a associação vai buscar uma maior integração com o Centro Espírita Beneficente União do Vegetal e focar suas ações no Seringal Novo Encanto, que deu origem à entidade. Genis entra no lugar que por oito anos foi ocupado por Flávio Gordon.


Confira a entrevista com o novo presidente:

Qual sua proposta para a próxima gestão?

Nosso objetivo é manter uma aproximação cada vez maior com o Centro Espírita Beneficente União do Vegetal e focar nossa atuação em três pontos principais: o plantio e a infra-estrutura do Seringal Novo Encanto; ações sustentáveis no Seringal; e auto-suficiência financeira da Novo Encanto.

O que significa essa aproximação maior?

Ao mesmo tempo em que as duas entidades têm sua independência, as três linhas de trabalho propostas terão a participação dos sócios da União do Vegetal de uma forma mais intensa.

De que forma?

A Novo Encanto e o Centro Espírita Beneficente União do Vegetal são duas entidades autônomas e independentes juridicamente, mas têm uma forte interação, uma vez que o Centro Espírita utiliza o mariri e a chacrona, plantas nativas da Floresta Amazônica, na preparação do chá utilizado em seus rituais e a Novo Encanto deverá ter como foco a preservação destas áreas florestais e a manutenção da adequação das unidades administrativas do Centro Espírita às normas ambientais brasileiras.

Qual a ligação entre a Novo Encanto e a União do Vegetal?

A Associação Novo Encanto foi fundada por membros da União do Vegetal, liderados por Raimundo Monteiro de Souza, em 1990, de forma independente do Centro por visualizarem naquela época a importância desta iniciativa de criar uma Associação, como cidadãos em uso de seus direitos, em busca de refletir na sociedade civil os princípios ecológicos existentes nos caminhos espirituais verdadeiros. Atualmente a Novo Encanto conta com o apoio institucional do Centro Espírita Beneficente UDV.

E isso é positivo no aspecto da missão da Novo Encanto, que tem por objetivo principal trabalhar pela Vida e pela Paz, promovendo a conscientização de que o ser humano, mais do que impor sua dominação sobre a Natureza, deve se integrar a ela trabalhando pela substituição da relação de consumo agressivo pela comunhão com esta Natureza.

E também para a União do Vegetal é positivo no sentido de que ela não tem como missão desenvolver e aplicar tecnologias de meio ambiente. A União do Vegetal é uma sociedade religiosa sem fins lucrativos que tem por objetivo contribuir para o desenvolvimento humano, com o aprimoramento de suas qualidades intelectuais e suas virtudes morais e espirituais.

Por que uma maior aproximação neste momento?

A conjuntura atual se mostra favorável ao aproveitamento do potencial da Novo Encanto para a União do Vegetal. Perante as autoridades, Novo Encanto e União do Vegetal são parceiras; e perante aos nossos olhos e da direção da UDV a Novo Encanto funciona como um departamento do Centro Espírita que pode realizar diversos trabalhos em prol da União, e ir além disso como associação parceira em diversos projetos de outros financiadores. Essa parceria é benéfica às duas Instituições.

Como foi preparada a proposta para o novo mandato?

Para preparar a proposta conversei com diversas pessoas que têm interesse em apoiar a Associação Novo Encanto de Desenvolvimento Ecológico, principalmente pessoas dentro da Direção da União do Vegetal. Tive conversas com o Flávio Gordon, que por oito anos presidiu a associação; com o presidente da Diretoria Geral do CEBUDV, Flávio Mesquita; com Jeffrey Bronfman, que é sócio fundador da Novo Encanto e doador do Seringal Novo Encanto; e também conversei com empresários que demonstraram interesse em colaborar para que a Novo Encanto assuma verdadeiramente o seu papel, tanto junto a União do Vegetal como também no meio externo.

Como o senhor avalia o trabalho que foi feito até agora ?

Com auxílio dos presidentes das diretorias anteriores, fiz uma análise rápida do cenário avaliando as gestões anteriores e percebendo com mais clareza quais os potenciais da Novo Encanto de forma geral. Como a origem da associação é o Seringal Novo Encanto e na União do Vegetal nós estamos num movimento de volta às origens, à simplicidade e maior espiritualidade, eu vejo que a Novo Encanto deve acompanhar esse movimento e buscar chegar mais perto disso também.

Percebemos que algumas iniciativas no seringal em relação à exploração de produtos florestais não se mostraram viáveis, caso da castanha, látex, óleos essenciais e madeira.

Observamos também que o trabalho junto à comunidade, os residentes no Seringal, também não deu certo. Existe uma alta rotatividade, as pessoas mudam muito e a maioria delas acaba indo pra cidade. Isso levou a problemas de invasões da área. Esse assunto estamos tratando com medidas judiciais, implantação de famílias contratadas e o trabalho das expedições.

Quais iniciativas deram resultado?

A gestão anterior iniciou o turismo ecológico que tem se mostrado interessante. Já fizemos três expedições ao Seringal e isso tem dado inclusive um certo retorno financeiro para a Regional do Acre e para a Diretoria nacional da Novo Encanto. E nessa atividade de turismo ecológico podemos, futuramente, incluir também a educação ambiental. Algumas técnicas conhecidas de permacultura podem ser aplicadas no local e, a partir daí, começarmos o desenvolvimento de uma idéia já antiga da criação de uma estância de formação ambiental no seringal, inclusive para pessoas que não são da União do Vegetal. Primeiro começaremos com pessoas da União, pela ligação com as origens e depois abriremos para outras pessoas.

Observamos também que graças à gestão anterior, a Novo Encanto se desenvolveu muito. É um aspecto bem positivo. Temos novas regionais, criamos o manual de monitores e existem novos projetos em andamento. Há uma maior integração da Novo Encanto nas atividades dos núcleos da União do Vegetal. As monitorias começaram a ter mais aderências às diretorias de núcleos.

O senhor considera boa a integração da Novo Encanto com a União do Vegetal nos núcleos?

Nós já demos alguns passos em direção a esta boa integração com o Centro Espírita. É necessária ainda, maior integração. Nós temos, na maioria dos núcleos, pouca aproximação da monitoria com a diretoria.

Também a integração entre a diretoria nacional da Novo Encanto com as monitorias dos núcleos precisa ser maior. Devido às distâncias, muitas vezes a diretoria nacional manda uma mensagem e demora pra vir uma resposta dos monitores. Nossos sistemas de comunicação precisam melhorar para a integração acontecer.

E quanto ao número de associados?

Precisamos aumentar o número de sócios e assim termos um reflexo positivo na receita. Também precisamos resolver o assunto do repasse das mensalidades. Enfim, há uma série de aspectos de repasse de recursos para a diretoria nacional que precisam ser melhor avaliados pra poder dar sustentabilidade financeira para a Novo Encanto como um todo.

Verificamos que precisamos ter um foco mais direcionado pra evitar dispersão de esforços e um maior índice de aprovação de projetos. E também uma melhor articulação de recursos humanos, especialmente dos consultores, no envolvimento com as propostas de projetos, tudo isto em busca de um maior equilíbrio financeiro da Novo Encanto.

E como está a Novo Encanto no exterior?

No exterior precisamos estreitar nossas relações com a nossa entidade irmã New Enchantment , nos Estados Unidos; e articular nossos vínculos com uma possível gerência no Núcleo Imaculada Conceição na Espanha. O interesse dos parceiros no exterior pelo desenvolvimento da Novo Encanto é grande e por diversas vezes temos contado com o apoio deles em nossos empreendimentos.

Voltando às propostas para o próximo mandato, de que maneira a Novo Encanto e a União do Vegetal trabalharão o plantio e a infra-estrutura do Seringal?

Através do desenvolvimento de plantio de Mariri e Chacrona para atender aos diversos núcleos da UDV no Brasil e no Exterior, utilizando técnicas de permacultura e agrofloresta. A proposta é de que o plantio seja financiado por verba da Diretoria Geral e pelos núcleos parceiros. Também vamos abrir estradas e construir uma casa de preparo e instalações adequadas para que o Seringal possa receber pessoas dos diversos núcleos do país e exterior.

Hoje há plantio no seringal?

No seringal há mariri nativo e existe plantio. Mas este plantio ainda está em caráter experimental, com a Diretoria Geral e o Departamento de Plantio. Não está bem claro ainda como é a participação de cada uma das partes.

Nosso objetivo é estabelecer de forma clara as regras de utilização e desenvolver o plantio de mariri e chacrona no seringal numa amplitude que possa atender a diversos núcleos da União do Vegetal. Pra que isso aconteça, gradativamente, nós precisamos abrir uma parte da estrada, construir instalações, casa de preparo e adquirir barcos. E ainda ter captação e tratamento de água e energia solar. Essas coisas permitirão o desenvolvimento desse plantio com base em princípios de sustentabilidade, de forma que ele possa ser um modelo para diversos outros núcleos da UDV. Estamos aguardando algumas definições advindas do próximo encontro nacional de Plantio, para elaborarmos com mais detalhes esta proposta.

Isso mostra uma interligação entre as duas entidades num nível bem mais profundo. Pois, tradicionalmente, o plantio de mariri e chacrona é feito apenas em terras que pertencem ao Centro Espírita.

Isso mesmo. Faremos um novo acordo onde, inclusive, está previsto o aporte de recursos da Diretoria Geral pra essa parte de infra-estrutura, o que permitirá dar uma alavancada no desenvolvimento desse plantio. Teremos condições de receber diversas pessoas (discípulos da União do Vegetal) lá pra fazer mutirões e zelar pelo plantio. Isso vai gerar uma movimentação e uma ocupação no seringal, que é de interesse da Novo Encanto. Nosso objetivo, porém, é ter um modelo de plantio sustentável que possa servir de inspiração para outros núcleos.

O que o senhor chama de ações sustentáveis?

São ações que promovem o progresso da área florestal com a preservação de toda biodiversidade existente no meio ambiente. Elaborar programas de turismo ecológico e educação ambiental, atividades interessantes para caianinhos (discípulos da União do Vegetal). Organizar vivências para formação de dirigentes junto com os mestres experientes nestes assuntos e os mestres que conviveram com o Mestre Gabriel (José Gabriel da Costa, criador da UDV). Trazer mais presente a simplicidade, a raiz da União do Vegetal. Preservar a biodiversidade da fauna e da flora existentes, com todo este progresso, harmonioso com a natureza.

A síntese do projeto de ações sustentáveis é efetivar a autosuficiência financeira do seringal, porque precisamos de recursos pra remunerar as pessoas que trabalham na área e ocupar o lugar evitando invasões. Numa área tão nobre e próxima a Rio Branco (140 quilômetros de Rio Branco).

E como o senhor pretende conseguir a auto-suficiência financeira da Novo Encanto?

Este é um tema ainda mais desafiante, envolve todas as atividades em nível nacional e no exterior. Pretendemos ter uma gestão profissionalizada da associação e, consequentemente, a ampliação do número de projetos aprovados. Queremos transformar a Novo Encanto de uma ONG (Organização Não-Governamental) numa Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público), que tem maiores facilidades na captação de recursos. Permitindo com isto ter um maior índice de aprovação de projetos propostos aos órgãos financiadores e dentre estes projetos, montar duas estâncias de educação ambiental: uma no Seringal, como já foi falado, e outra em Jarinu, São Paulo. Os Investimentos para montagem das estâncias inicialmente virão dos órgãos financiadores e o recurso para manutenção e continuidade das atividades nas estâncias virá dos cursos e treinamentos práticos oferecidos como formação de agentes ambientais.

De forma que a Novo Encanto possa contribuir na implantação de adequações ambientais em diversas instituições e empresa.

Iniciaremos com esta parceria com o CEBUDV. Essas adequações ambientais estão sendo construídas em parceria com a União do Vegetal com consentimento do Mestre Geral Representante, Francisco Herculano, por verificar-se que nós estamos vivendo um momento onde as exigências ambientais estão aumentando cada vez mais. Esse é um trabalho que solicitará a preparação, conscientização de muitas pessoas e a dedicação de educadores ambientalistas.

Então, nós precisamos nos preparar pra ter uma auto-suficiência financeira e recursos pra realizar esses trabalhos. Portanto dentro dessa linha vamos desenvolver competências para captação de recursos, gerenciamento e aplicação destes recursos de forma a atingir esta auto-suficiência financeira da Novo Encanto.

A Novo Encanto está em todo o país, através dos monitores dos núcleos. Como fazer a integração dessas pessoas?

O trabalho de integração continuará sendo por região. Através dos encontros regionais, treinamento e produção de manuais facilitaremos a integração entre monitores de todo pais e exterior contando com as tecnologias de internet disponíveis. As estâncias de educação ambiental também terão uma importante função nesta integração e ampliação das ações dos monitores nos núcleos. Esse é um momento importante para a integração porque existe uma sintonia entre o pensamento da direção da UDV e da Novo Encanto.

Hoje existem ações em muitos núcleos com diversos níveis de ligação com a Novo Encanto. Como criar uma conexão maior entre as unidades e fazer com que os projetos cheguem aos sócios da União do Vegetal?

Acho que é um ponto de grande importância a ser planejado com cuidado e executado. Eu tenho uma idéia inicial que pretendo levar para a diretoria da Novo Encanto pra desenvolvermos com mais detalhes. Mas, a princípio, a estratégica de marketing interno é a seguinte: o presidente e os vices da Associação participarem, sempre que possível, dos encontros regionais da União do Vegetal e, em comum acordo com o presidente da Diretoria Geral, o Mestre Geral Representante e os mestres centrais de Região a Novo Encanto ter um espaço dentro desses encontros pra divulgar aos mestres representantes esses objetivos. E assim, preparar o caminho para que os monitores dentro de cada um dos núcleos possa trazer as mensagens das ações da Novo Encanto a todos os sócios.

E as iniciativas que já existem nos núcleos. Alguns em sintonia com o que vem sendo proposta e outras nem tanto. Como o senhor pretende fazer esse alinhamento?

Até o momento em que nós não estabelecermos diretrizes não tem ao que as iniciativas estarem alinhadas. Na medida em que propomos diretrizes haverá necessidade de alinhamento. Algumas já estão. Outras não. E se, eventualmente, alguma iniciativa tenha se transformado numa ação consolidada, viável e rentável dentro dos princípios da Novo Encanto não tem porque não continuar, mesmo que não esteja diretamente alinhada a essas propostas de diretrizes. É bom deixar claro, não são restrições, são propostas no sentido de melhorar e focar as ações da Novo Encanto, dando a ela uma identidade mais clara. Agora isso tudo nós vamos conversar e ter a oportunidade de tomar conhecimento e resolver o que for necessário sempre de forma participativa, com uso de bom senso na busca de consenso.


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